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ARTIGO ESPECIAL TERCEIRIZAÇÃO

Terceirização na Manutenção – O Debate Continua!

Allan KardekCapítulo 3

Por Alan Kardec, colaborador da MyQ, autor de vários livros sobre Gestão Estratégica e Manutenção, conferencista, consultor, ex-presidente da Abraman e da Petrobras Biocombustível.

3.1 – A Terceirização de Atividades de Manutenção – Uma estratégia que tem sido adotada por empresas brasileiras e internacionais é cada vez mais concentrar seus maiores esforços na sua atividade-fim, razão de ser do seu negócio, procurando buscar no mercado determinados serviços que fazem parte de suas atividades “meio” e “acessórias”. Esta estratégia tem sido uma das principais razões destas empresas alcançarem uma maior produtividade e, conseqüentemente, uma maior competitividade.

Com relação à atividade de Manutenção que, tecnicamente como já vimos, deve ser classificada como Atividade-Meio, exceto para empresas que prestam serviços de Manutenção, além do foco estratégico da empresa de concentrar seus maiores esforços na Atividade-Fim, outros aspectos são considerados para definir a estratégia de terceirizar ou não determinadas atividades de Manutenção. São elas:

• Toda atividade de Manutenção requer gerenciamento, o que pode levar à perda de foco na Atividade-Fim e, também, das atividades de Manutenção que estão sendo executadas pelo pessoal próprio;

• Além de ser praticamente impossível ser especialista em tudo, o mundo avança rapidamente na inovação tecnológica. Existem no mercado várias empresas especializadas desenvolvendo soluções de Manutenção que agregam muito valor ao processo de Manutenção;

• A Manutenção de recursos humanos próprios para tarefas de alta tecnologia, mas com baixo grau de intervenção e utilização, além de trazer custos adicionais não mantém o pessoal próprio com a adequada qualificação pelo simples fato das intervenções serem realizadas com grande intervalo de tempo entre elas. Por exemplo, um turbo-compressor de grande porte, com sofisticado sistema de controle e com uma montagem bastante delicada e complexa, que passa por Manutenção a cada seis anos, não possibilita que o pessoal próprio da Contratante mantenha um conhecimento atualizado e adequado. Ao contrário, o fabricante deste equipamento, que por ter vários destes equipamentos instalados no Brasil e, até mesmo no mundo, consegue manter o seu pessoal com um alto grau de experiência pela oportunidade que se tem de participar de freqüentes intervenções. Esta maior qualificação da empresa prestadora de serviço é um fator crítico de sucesso para a maior disponibilidade destes equipamentos;

• Como a Contratada tem a prestação de serviços de Manutenção como Atividade-Fim, ela tem maiores condições de aumentar a produtividade do processo, naqueles serviços que a Contratante avaliou e selecionou como possíveis de serem terceirizados;

• Existência no mercado de empresas prestadoras de determinados serviços de boa qualidade.

3.2 – A Terceirização versus Primeirização – A alternativa de executar determinadas atividades de Manutenção com recursos próprios ou partir para terceirizá-las deve ser reavaliada periodicamente pelo Contratante, isto porque as condições de mercado evoluem rapidamente, assim como a própria complexidade das atividades. Esta reavaliação periódica é que permite otimizar, continuamente, o processo decisório.

Os segmentos industriais, como por exemplo o petroquímico, o de petróleo, o siderúrgico, o de mineração e o cimenteiro, além dos pontos já vistos no Capítulo 2, itens 2.3 (Vantagens da Terceirização), 2.4 (Desvantagens da Terceirização) e 2.5 (Condições Básicas para Terceirizar), outras duas variáveis são muito importantes para se definir atividades que devem ser executadas com pessoal próprio e outras atividades que podem ser terceirizadas. São elas:

3.2.1- Atividades de Manutenção que exigem, além do conhecimento técnico, um maior conhecimento do processo produtivo, a tendência empresarial, hoje, tem sido de manter estas atividades sendo executadas pelo pessoal próprio.

Exemplo destas atividades:

• Malhas de controle e de inter-travamento de sistemas mais complexos de instrumentação e elétrica;
• Equipamentos de grande complexidade;
• Macro Planejamento das atividades, em especial em Paradas de grandes sistemas operacionais;
• Gestão da Atividade de Manutenção.

É importante ressaltar que, do ponto de vista técnico, a execução de determinadas tarefas de Manutenção com pessoal próprio, trata-se de uma decisão puramente empresarial. Ressalte-se que a Súmula 331, do TST, permite a contratação de Atividade-Meio (vide Capítulo 4 – Aspectos Legais).

3.2.2- Quando determinadas atividades de Manutenção requerem, apenas, conhecimento técnico não exigindo maiores conhecimentos do processo produtivo, a tendência empresarial, hoje, tem sido a de maximizar a terceirização destas atividades.

Podemos exemplificar as seguintes atividades, dentre outras, que têm sido preferencialmente terceirizadas:

• Serviços de caldeiraria e tubulação em geral;
• Serviços em Paradas de Unidades de Processo e de Utilidades;
• Atividades de mecânica de baixa e média complexidade;
• Enrolamento de motores elétricos;
• Manutenção de válvulas em geral;
• Serviços de pintura, isolamento térmico, refratário, montagem de andaime e movimentação de carga.

3.3 – Como Superar as Possíveis Desvantagens da Terceirização – No Capítulo 2, item 2.4 – Desvantagens da Terceirização, levantamos alguns pontos como possíveis de apresentarem problemas. São eles:

• Aumento da dependência de terceiros;
• Aumento do risco empresarial pela possibilidade de queda da qualidade;
• Redução da especialização própria;
• Aumento do risco de acidentes pessoais;
• Precarização do trabalho dos contratados;
• Aumento do risco de passivos trabalhistas.

É importante que estas desvantagens sejam minimizadas ou até mesmo eliminadas, adotando-se como já visto uma correta estratégia de terceirização.

Alguns pontos importantes a serem observados pela Contratante:

• A definição de atividades que podem ser terceirizadas deve ser feita analisando-se estrategicamente e observando-se para isto as questões já explicitadas neste Capítulo 3, itens 3.1 e 3.2;

• Definição de metas quantitativas de resultados;

• Buscar no mercado empresas que tenham idoneidade Técnica, Administrativa e Financeira, conforme já visto no Capítulo 2, item 2.1;

• Restringir os contratos tipo “Mão de Obra” apenas para os casos de trabalho temporário previstos em lei, conforme já visto no Capítulo 2, item 2.2.1;

• Definir no Contrato questões básicas de segurança e saúde do trabalhador, abrangendo, entre outras, itens de controle, plano de saúde, atendimento através de certificação às normas aplicáveis, histórico de segurança das empresas, adequado treinamento técnico, uso de EPI’s, etc;

• Definir no Contrato o nível de qualidade a ser praticado com relação às instalações físicas como refeitório e vestiários, transporte e alimentação;

• Definir o nível de qualificação do pessoal contratado, compatível com os serviços a serem executados, aplicando-se a certificação sempre que possível;

• Não admitir a prática da Pessoalidade e da Supervisão Direta por parte dos seus Fiscais.

Ressalte-se que a correta contratação é muito importante para o sucesso, todavia, a prática no dia-a-dia precisa ser compatível com o que foi contratado. Infelizmente, ainda observa-se uma cultura inadequada por parte de algumas Contratantes / Fiscais de não exercerem, na prática, os pressupostos de uma correta terceirização, mesmo que estes estejam explicitados nos contratos. As lacunas mais comumente observadas estão na prática da Pessoalidade e da Supervisão Direta. 

3.4 – A Manutenção no Segmento Industrial – As Unidades de Negócio dos diversos segmentos industriais como por exemplo o petroquímico, o de petróleo, o siderúrgico, o de mineração e o cimenteiro têm a sua atividade-fim desenvolvida pela operação, que é quem executa a atividade voltada para a sua vocação que é, por exemplo, produzir derivados petroquímicos, derivados de petróleo, aço, minério de ferro e cimento.

Estes segmentos industriais não foram instalados com a finalidade de serem prestadores de serviços de Manutenção. A Manutenção não é o seu objeto, não é a sua razão de ser. Do ponto de vista técnico, a Manutenção é, portanto nestes casos, denominada de Atividade-Meio.

Vários destes segmentos industriais se caracterizam pela “Operação Contínua”, ou seja, operam 24 horas por dia, necessitando de alta confiabilidade e disponibilidade. Neste caso, a atividade de operação, que é uma atividade-fim, é, também, desenvolvida de modo ininterrupto.

Entretanto, a atividade de Manutenção para poder dar a sua contribuição para a confiabilidade e a disponibilidade da instalação não tem que ser necessariamente de caráter contínuo. A maioria destas empresas industriais não tem a atividade de Manutenção em turno ininterrupto de revezamento.

A atividade de Manutenção é constituída de vários serviços especializados e complementares que tem a finalidade de prestar apoio à Operação que é a atividade-fim dos segmentos industriais citados anteriormente.

Conforme já visto no Capítulo 1, item 1.3 (Classificação das Atividades), apresentamos, do ponto de vista técnico, alguns exemplos de classificação de atividades nos segmentos industriais citados:

• Atividade-fim: Operação.

• Atividades-meio: Manutenção, Engenharia de Projeto etc.

• Atividades-acessórias: Transporte, Alimentação, Limpeza e Vigilância etc.

A atividade de Manutenção costuma ter suas atividades classificadas em dois grupos:

• Atividades Especializadas como por exemplo: instrumentação, caldeiraria, elétrica, tubulação, mecânica e soldagem etc.

• Atividades Complementares, que dão apoio às Atividades Especializadas, como por exemplo: refratário, isolamento térmico, pintura, montagem de andaime e movimentação de carga.

Algumas destas atividades especializadas têm maior proximidade com o processo produtivo como por exemplo a instrumentação (vide item 3.2.1), e outras têm uma menor proximidade com o processo produtivo (vide item 3.2.2), mas todos estes serviços especializados constituem a atividade de Manutenção que é, do ponto de vista técnico, como já vimos, classificada de atividade-meio nos segmentos industriais citados.

Resumindo, do ponto de vista técnico, as empresas procuram definir a sua estratégia de Terceirização de determinadas atividades de Manutenção, conforme abordado no item 3.1 – A Terceirização de Atividades de Manutenção e no item 3.2 – A Terceirização versus Primeirização.

Este Capítulo 3 se encerra aqui. O conjunto da abordagem continuará nos próximos capítulos.

E-mail do autor: akardecp@yahoo.com.br

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