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  Ano II • nº 059 • 20 de janeiro de 2010                                                      Informativo quinzenal

ARTIGO ESPECIAL DUTOS

10 mandamentos do Gerenciamento da Integridade de Dutos

O pilar para uma boa concepção e implementação de um programa na área. Clique em Gerenciamento da Integridade de Dutos: Oportunidade ou Obrigação? para reler o primeiro artigo.

Por Pedro Roncada Borges, consultor de transporte de petróleo, derivados, gás natural e biocombustíveis. Ex-membro do conselho diretor da TBG; autor de textos sobre operação e segurança operacional de dutos e consultor do CTDUT.

A completa visão da integridade de um sistema de dutos é um componente integral e permanente para a sua segurança operacional. Das recomendações das normas API STD 1160 (Oleodutos) e ASME B31.8S (Gasodutos), foram extraídos os 10 mandamentos que devem ser seguidos na concepção e implementação de programa  de gerenciamento da integridade de dutos.

Para o sucesso do programa, esses 10 mandamentos devem ser disseminados na organização do operador de dutos, tanto em nível gerencial quanto em nível dos executantes.



1. Conceber para a integridade

Requisitos funcionais para a gestão de integridade devem ser considerados no planejamento inicial, projeto, seleção de materiais e construção de novos dutos. O gerenciamento da integridade do duto começa com o atendimento aos regulamentos e às normas de projeto, de seleção de materiais e de construção aplicáveis ao duto.

O projetista deve considerar os possíveis impactos ao meio ambiente e às pessoas ao longo de sua diretriz, bem como com a prevenção, detecção e mitigação desses impactos. Documentação completa e atualizada sobre os materiais empregados, projeto e construção do duto são essenciais para o início de um bom programa de gerenciamento de integridade.

2. Integridade com base em pessoas e processos
A integridade das instalações físicas é apenas parte do processo que permitirá ao operador reduzir tanto o número de incidentes como os efeitos adversos de erros e incidentes. O processo total inclui também as pessoas que operam o duto e os procedimentos de trabalho por elas empregados.

A integridade das instalações requer compromisso de todo o pessoal operacional e o uso de procedimentos abrangentes, sistemáticos e integrados para operar e manter o duto com segurança. Para que seja eficaz, além do sistema físico, o programa de gerenciamento da integridade deverá considerar a organização do operador, os processos de trabalho, a qualificação e a motivação das pessoas.

3. Flexibilidade do programa
O programa de gerenciamento da integridade evolui continuamente. Deve ser flexível e personalizado para satisfazer as condições únicas de cada operador e de suas práticas de negócio. O programa deve ser periodicamente avaliado e modificado para acomodar alterações na operação e Manutenção do duto, alterações no ambiente operacional e o afluxo de novos dados e informações sobre o sistema.

O operador tem várias opções disponíveis para mitigar os riscos a que o duto está sujeito. Componentes do duto podem ser alterados; treinamento adicional pode ser ministrado às pessoas que operam ou mantêm o sistema; processos ou procedimentos podem ser modificados; ou pode ser utilizada a combinação de ações que terá o maior impacto na redução do risco.

Avaliação periódica é necessária para assegurar que o programa aproveita adequadamente as melhores tecnologias e que utiliza o melhor conjunto de prevenção, detecção e atividades de mitigação que estejam disponíveis para as condições específicas de cada duto.

Além disso, conforme o programa é implementado, suas atividades devem ser reavaliadas e modificadas para assegurar a contínua eficácia do programa em todos os seus componentes e o cumprimento das metas de integridade do operador. Também, as metas e objetivos do programa devem ser avaliados e ajustados ao longo da sua evolução.

4. Integração da informação
A integração das informações é um elemento-chave para a realização das avaliações de risco e para o processo decisório que fazem parte do gerenciamento da integridade do duto

Informações que podem afetar o entendimento dos riscos importantes para o duto pelo operador provêm de uma variedade de fontes. O operador é quem está em melhor posição para recolher e analisar essas informações.

Ao integrar e analisar todas as informações pertinentes, o operador pode determinar onde os riscos de um incidente são maiores e tomar decisões prudentes para avaliar e reduzir esses riscos.

5. Análise/Avaliação do risco
A análise/avaliação do risco é o processo analítico através do qual o operador determina os tipos de eventos adversos ou condições que podem impactar a integridade do duto, a probabilidade desses eventos acontecerem e a natureza e gravidade das consequências que possam ocorrer após uma perda de integridade. Este processo analítico envolve a integração das informações de projeto, seleção de materiais, construção, operação, Manutenção, teste, inspeção e demais informações sobre o duto e seu ambiente operacional.

As análise/avaliações do risco, que são a própria base de um programa de gerenciamento da integridade, podem variar em escopo ou complexidade e usar diferentes métodos ou técnicas. O objetivo final da análise/avaliação do risco é identificar os riscos mais significativos para que o operador possa desenvolver um plano de prevenção, detecção e mitigação, eficaz e priorizado, para enfrentá-los e tomar decisões informadas sobre estas questões.

6. Processo contínuo de análise/avaliação de risco
Avaliar os riscos para a integridade do duto é um processo contínuo e iterativo. O operador deve levantar e integrar periodicamente a experiência na operação e Manutenção do duto e as informações novas ou adicionais. Estas devem fazer parte das revisões das avaliações de risco que, por sua vez, podem exigir ajustes para o plano de integridade do sistema.

Isso pode resultar em alterações dos métodos e frequência de inspeção ou modificações adicionais no duto em resposta aos novos dados. Cada duto e cada operador deve ter metas e métricas específicas para monitorar as melhorias na integridade e avaliar a necessidade de alterações adicionais.

7. Avaliação de integridade e ações de mitigação
Os operadores devem tomar medidas para resolver as questões de integridade levantadas nas avaliações de integridade e análise das informações coletadas. Devem avaliar as anomalias detectadas em inspeções e identificar aquelas que são defeitos prejudiciais à integridade do duto e sua severidade.

Os operadores deverão tomar medidas para mitigar ou eliminar defeitos prejudiciais sempre com base na sua severidade e do risco que eles representam.

8. Avaliação e uso de novas tecnologias
Novas tecnologias devem ser avaliadas e implementadas quando apropriadas. Os operadores de dutos devem acompanhar o desenvolvimento de novas tecnologias e técnicas que possam fornecer melhor compreensão sobre a condição do duto ou proporcionar novas oportunidades para reduzir o risco, à medida que forem sendo comprovadas e tenham uso prático.

Novas tecnologias podem melhorar a capacidade do operador em evitar certos tipos de falhas, detectar riscos de forma mais eficaz ou melhorar a mitigação dos riscos.

9. Avaliação do programa
Independentemente de eventuais avaliações conduzidas por inspetores do órgão regulador, o programa de gerenciamento da integridade do duto deve prever a medição do desempenho das ações de melhoria de integridade e a sua própria efetividade. Cada operador deve escolher métricas de desempenho significativo no início do programa e, então, periodicamente, avaliar os resultados destas métricas para monitorar e avaliar a eficácia do programa.

Relatórios periódicos da eficácia do programa de gerenciamento da integridade do operador devem ser emitidos e avaliados para melhorar continuamente o programa.

Essas avaliações podem ser internas, realizadas pelo próprio operador, ou externas, através de consultorias especializadas.

10. Comunicação às partes interessadas
As atividades de gerenciamento da integridade devem ser comunicadas às partes interessadas adequadas. Cada operador deve assegurar que a elas seja dada a oportunidade de participar do processo de análise/avaliação de risco e que os resultados sejam comunicados eficazmente.