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 Ano II • nº 031 • 01 de setembro de 2008                                                        Informativo quinzenal

ARTIGO ESPECIAL INTERNACIONAL

Corrosão e seleção de materiais para
a indústria do petróleo e gás natural

Por Dra Liane Smith
Diretora britânica da Intetech Ltd. (a empresa atua na área de tecnologia da integridade) e consultora do Nickel Institute, é especialista em corrosão e seleção de materiais na indústria de óleo e gás. Ela é uma das participantes estrangeiras no Ciclo de Palestras Temáticas, que acontece de 12 a 14 de novembro, em São Paulo, no Inox 2008, evento organizado pelo Núcleo Inox. O artigo aqui publicado foi escrito com exclusividade para a MyQ.


O objetivo de selecionar materiais adequados para lidar com produtos corrosivos (petróleo, gás e condensados sem tratamento, contendo quantidades de CO2, H2S e cloretos) é estabelecer a escolha dos materiais mais seguros e com custo-eficiente para o tempo necessário do serviço num dado meio. Os materiais precisam atender aos critérios de resistência à corrosão, mas as limitações mecânicas, a soldabilidade e a disponibilidade dos mesmos também irão influenciar a escolha.

O caso básico geralmente aceito como avaliação é o uso do aço carbono com alguma tolerância à corrosão e proteção corrosiva fornecida por meio da injeção de inibidores corrosivos químicos.

Se a faixa de corrosibilidade aumenta (altas taxas de fluidez, CO2, H2S e cloretos) e a confiança em escolhas anteriores não é considerada suficiente para a duração total do projeto, então é normal que ligas metálicas resistentes à corrosão (CRAs, na sigla em inglês) sejam consideradas como opção. Nesse grupo de materiais, diversos tipos de aços inoxidáveis ou ligas de níquel podem ser escolhidos.

As ligas resistentes à corrosão mais utilizadas, em ordem crescente de resistência, são as seguintes:

• aço inox martensítico 13Cr
• aço inox supermartensítico
• aço inox AISI 316L
• aço inox duplex 22Cr
• aço inox duplex 25Cr
• aço inox superaustenítico 28Cr
• liga 825
• liga 625
• liga C276

Cada CRA é definida por meio de um “envelope operacional seguro” de condições de ambiente dentro das quais ela irá funcionar sem sofrer ataque corrosivo ou pressões de rachadura. O envelope operacional seguro para diversos materiais é detalhado em especificações internacionais como o ISO 15156 (NACE MR 1075), ou então é definido em outras publicações, tais quais a NI 10073.

É possível estabelecer uma série lógica de etapas a serem tomadas para a seleção do material, desde a incorporação de análises do meio e do regime de fluidez até o uso de cálculos sobre a taxa de corrosão e, finalmente, a escolha do material com base em limites determinados. Quando mais de uma alternativa é possível do ponto de vista técnico (por exemplo, o uso de aço carbono com inibidores e o uso de ligas metálicas resistentes à corrosão), deve-se compará-las sob o ponto de vista econômico com base em uma metodologia de custo do ciclo de vida (LCC).

A escolha do material também dependerá da aplicação que se deseja fazer. No caso de tubos para perfuratrizes, o desejável será uma liga sólida, possivelmente trabalhada a frio para se tornar mais resistente. Equipamentos de superfície também demandarão ligas sólidas, em tubos sem costura ou soldados ou em equipamentos de aço carbono com revestimento interno ou externo das ligas. O uso de CRA como uma camada dentro de equipamentos de aço carbono, que contenham pressão, otimiza a função da resistência corrosiva da CRA, no caso aliada à dureza do aço. Detalhes sobre essa metodologia de custo-eficiente são dados na NI 10064.

Uma vez selecionada, a melhor prática é exigida para a fabricação do equipamento, a fim de que sejam garantidas que as regiões soldadas do equipamento tenham pelo menos as mesmas propriedades de resistência à corrosão que o material original.

O histórico do desempenho de CRAs corretamente selecionados em operação é muito bom. Os dados fornecem uma alta integridade para todo o ciclo de vida projetado e oferecem uma escolha de materiais robusta para mudanças futuras nas condições operacionais.


Publicações sobre níquel podem ser encontradas no site www.nickelinstitute.org