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 Ano II • nº 031 • 01 de setembro de 2008                                                        Informativo quinzenal

BIOCOMBUSTÍVEL

Um bom e estratégico negócio

Uma nova companhia, com a marca Petrobras, por si só agita o mercado e dá partida a unidades para a produção estratégica de biodiesel e etanol com investimentos equivalentes a US$ 1,5 bilhão até 2012 que podem aumentar a partir de revisão de planejamento que está para ser divulgado em breve. Uma das metas originais é produzir 938 milhões de litros/ano de biodiesel e 4,75 bilhões de etanol em 2012 para exportação. Em entrevista exclusiva à MyQ, Alan Kardec, presidente da nova Petrobras Biocombustível, dá uma visão sobre a nova empresa e destaca que a Manutenção merece atenção especial, com ênfase à confiabilidade de equipamentos, instrumentos e sistemas. Um dos ex-presidentes mais atuantes da Abraman tem participação programada na mesa-redonda exatamente sobre Biocombustível, no dia 03/09, às 10h30m.

MyQ - A Petrobras Biocombustível terá investimentos da ordem de US$ 1,5 bilhão, de acordo com o Plano de Negócios 2008-2012, em etanol e biodiesel, com a meta de produzir 938 milhões de litros/ano de biodiesel e 4,75 bilhões de etanol em 2012 para exportação. Contudo, a Petrobras em breve anunciará o seu planejamento estratégico revisado. O que muda (ou não) para a Petrobras Biocombustível?

Alan Kardec -
Estamos em plena discussão do planejamento estratégico da companhia que será divulgado em breve, após a sua aprovação, conforme procedimentos da Petrobras. Após esta fase, teremos uma definição dos projetos, estratégias e investimentos que serão destinados ao negócio de etanol e biodiesel.

MyQ - No final de julho, foi inaugurada a primeira (Candeias, BA) de três usinas da empresa que entram em operação este ano. Quais as outras duas e por que a Petrobras Biocombustível partiu com unidades de relativa pouca capacidade produtiva: para adquirir experiência?

Alan Kardec - A segunda usina de produção comercial de biodiesel foi inaugurada dia 20 de agosto, em Quixadá, no Ceará. A terceira usina, localizada em Montes Claros, Minas Gerais, será inaugurada em breve. Cada usina produzirá 57 milhões de litros de biodiesel por ano. As três usinas estão equipadas com o que há de mais moderno em termos de tecnologia para a produção de biodiesel. Totalmente automatizadas e com flexibilidade para operar com matéria-prima extraída de diversos tipos de oleaginosas. As três usinas somam investimentos da ordem de R$ 295 milhões e a produção inicial atende as metas iniciais e estratégias de negócio da Petrobras Biocombustivel.

MyQ - Que tipo de tecnologia está sendo adotada nas usinas para que elas
apresentem eficiência operacional? Ela é 100% nacional?

Alan Kardec - A empresa utiliza a tecnologia da companhia americana Crown Iron Works, uma das líderes mundiais em engenharia de processamento de óleos vegetais. A obra foi realizada pela empresa de engenharia Intecnial S.A., com sede em Erechim, no Estado do Rio Grande do Sul.

MyQ - Qual o cronograma estabelecido de entrada em operação das novas usinas, com suas respectivas capacidades e localizações, para se atingir a meta de produção de 938 milhões de litros de biodiesel?

Alan Kardec -
Este assunto está sendo definido na revisão do planejamento estratégico que está em curso na Petrobras e desdobrado no plano de Negócios da Petrobras Biocombustível.

MyQ - A aquisição do biodiesel costuma ser feita através de leilões, sendo que a quase totalidade tem como fonte de matéria-prima a soja. As usinas da Petrobras Biocombustível utilizarão biodiesel de determinada(s) matéria-prima(s) ou haverá diversificação? Produzirão a partir de matéria-prima de origem vegetal e/ou também animal?

Alan Kardec -
Um dos diferenciais das usinas de biodiesel da Petrobras Biocombustível é a flexibilidade de matérias-primas que podem ser usadas no processo produtivo. Vamos estimular a produção diversificada de grãos, priorizando o fornecimento da matéria-prima nos mercados agrícolas regionais. Para isso, a empresa investe na estruturação da agricultura familiar por meio de iniciativas como assistência técnica e distribuição de sementes. A empresa já conta com uma rede de 55 mil agricultores familiares que atuam como fornecedores de oleaginosas como girassol, mamona, dendê, algodão entre outros. A tendência é de que, no curto e médio prazos, novos grãos reduzam a utilização da soja. As usinas também utilizam sebo bovino e óleos e gorduras residuais provenientes dos processos de fritura, compradas de cooperativas de catadores e ONGs, o que gera emprego e renda também no meio urbano.

MyQ - Tecnicamente, há diferença na utilização de diferentes fontes de matérias-primas para o processamento final na obtenção do biocombustível?

Alan Kardec -
Existem pequenas diferenças no processamento de diferentes fontes de matérias-primas, mas o processo de produção escolhido possui a flexibilidade necessária para a produção de biodiesel de acordo com as especificações da ANP.

MyQ - Para o escoamento de sua produção final, como a Petrobras Biocombustível estará estruturando sua logística para atender o consumidor final?

Alan Kardec - Os processos de comercialização e logística serão executados pela Petrobras e a distribuição através da BR Distribuidora.

MyQ - A empresa irá exportar?

Alan Kardec - A produção de biodiesel será voltada inicialmente para o mercado nacional. No caso do etanol, o foco é o mercado internacional, a ser definido e desenvolvido por meio de parcerias com empresas internacionais e produtores nacionais. No momento estamos avaliando as oportunidades de parcerias e mercados.

MyQ - A área de Manutenção é estratégica para o sucesso de qualquer atividade empresarial – sua própria experiência fortemente ligada à Manutenção comprova essa assertiva. Como ela (Manutenção) está sendo estrutura no escopo de cada usina da Petrobras Biocombustível?

Alan Kardec -
A confiabilidade dos equipamentos, instrumentos e sistemas é com certeza um dos grandes fatores de sucesso de uma unidade operacional. A qualidade da Manutenção, com foco em Manutenção preditiva e preventiva, realizada por pessoas qualificadas é uma das nossas diretrizes estratégicas. As nossas usinas são constituídas com redundância de equipamentos que permite uma maior flexibilidade para a realização de manutenções preditivas, preventivas e corretivas.

MyQ - À frente de unidades novas e considerando justamente a sua experiência nessa área, quais as lições que o Sr. pretende difundir para que a Petrobras Biocombustível possa mais à frente ser reconhecida como excelência na área de Manutenção?

Alan Kardec – Mão-de-obra qualificada e certificada; Plano de Manutenção preventiva e preditiva efetivamente implantado, monitorado por indicadores de disponibilidade e confiabilidade operacional; Política de sobressalentes considerando a vida útil e confiabilidade dos componentes e disponibilidade por parte dos fornecedores; Segurança, Meio Ambiente e Saúde como um valor em todo o ciclo do trabalho, incluindo: planejamento integrado com a operação e equipe de SMS e processo da Permissão de Trabalho; Criação de um banco de modos e efeitos de falhas de equipamentos e componentes para análise de tendência e vida útil dos equipamentos e sistemas.

MyQ - A operação de todas as usinas da Petrobras Biocombustível ocorrerá de forma integrada? Quais os ganhos almejados com o modelo adotado?

Alan Kardec -
Os processos das usinas são semelhantes, pois a tecnologia utilizada é a mesma, facilitando a troca de experiências e lições aprendidas. A princípio as operações serão descentralizadas, com monitoramento contínuo das variáveis de processo e produção pela sede, por meio da Diretoria Industrial da Petrobras Biocombustivel.