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Um
bom e estratégico negócio
Uma nova
companhia, com a marca Petrobras, por si
só agita o mercado e dá partida
a unidades para a produção
estratégica de biodiesel e etanol
com investimentos equivalentes a US$ 1,5
bilhão até 2012 que podem
aumentar a partir de revisão de planejamento
que está para ser divulgado em breve.
Uma das metas originais é produzir
938 milhões de litros/ano de biodiesel
e 4,75 bilhões de etanol em 2012
para exportação. Em entrevista
exclusiva à MyQ, Alan Kardec, presidente
da nova Petrobras Biocombustível,
dá uma visão sobre a nova
empresa e destaca que a Manutenção
merece atenção especial, com
ênfase à confiabilidade de
equipamentos, instrumentos e sistemas. Um
dos ex-presidentes mais atuantes da Abraman
tem participação programada
na mesa-redonda exatamente sobre Biocombustível,
no dia 03/09, às 10h30m.
MyQ
- A Petrobras Biocombustível terá
investimentos da ordem de US$ 1,5 bilhão,
de acordo com o Plano de Negócios
2008-2012, em etanol e biodiesel, com a
meta de produzir 938 milhões de litros/ano
de biodiesel e 4,75 bilhões de etanol
em 2012 para exportação. Contudo,
a Petrobras em breve anunciará o
seu planejamento estratégico revisado.
O que muda (ou não) para a Petrobras
Biocombustível?
Alan Kardec - Estamos em
plena discussão do planejamento estratégico
da companhia que será divulgado em
breve, após a sua aprovação,
conforme procedimentos da Petrobras. Após
esta fase, teremos uma definição
dos projetos, estratégias e investimentos
que serão destinados ao negócio
de etanol e biodiesel.
MyQ - No
final de julho, foi inaugurada a primeira
(Candeias, BA) de três usinas da empresa
que entram em operação este
ano. Quais as outras duas e por que a Petrobras
Biocombustível partiu com unidades
de relativa pouca capacidade produtiva:
para adquirir experiência?
Alan Kardec
- A segunda usina de produção
comercial de biodiesel foi inaugurada dia
20 de agosto, em Quixadá, no Ceará.
A terceira usina, localizada em Montes Claros,
Minas Gerais, será inaugurada em
breve. Cada usina produzirá 57 milhões
de litros de biodiesel por ano. As três
usinas estão equipadas com o que
há de mais moderno em termos de tecnologia
para a produção de biodiesel.
Totalmente automatizadas e com flexibilidade
para operar com matéria-prima extraída
de diversos tipos de oleaginosas. As três
usinas somam investimentos da ordem de R$
295 milhões e a produção
inicial atende as metas iniciais e estratégias
de negócio da Petrobras Biocombustivel.
MyQ - Que
tipo de tecnologia está sendo adotada
nas usinas para que elas
apresentem eficiência operacional?
Ela é 100% nacional?
Alan Kardec
- A empresa utiliza a tecnologia
da companhia americana Crown Iron Works,
uma das líderes mundiais em engenharia
de processamento de óleos vegetais.
A obra foi realizada pela empresa de engenharia
Intecnial S.A., com sede em Erechim, no
Estado do Rio Grande do Sul.
MyQ - Qual
o cronograma estabelecido de entrada em
operação das novas usinas,
com suas respectivas capacidades e localizações,
para se atingir a meta de produção
de 938 milhões de litros de biodiesel?
Alan Kardec - Este assunto
está sendo definido na revisão
do planejamento estratégico que está
em curso na Petrobras e desdobrado no plano
de Negócios da Petrobras Biocombustível.
MyQ - A aquisição
do biodiesel costuma ser feita através
de leilões, sendo que a quase totalidade
tem como fonte de matéria-prima a
soja. As usinas da Petrobras Biocombustível
utilizarão biodiesel de determinada(s)
matéria-prima(s) ou haverá
diversificação? Produzirão
a partir de matéria-prima de origem
vegetal e/ou também animal?
Alan Kardec - Um dos diferenciais
das usinas de biodiesel da Petrobras Biocombustível
é a flexibilidade de matérias-primas
que podem ser usadas no processo produtivo.
Vamos estimular a produção
diversificada de grãos, priorizando
o fornecimento da matéria-prima nos
mercados agrícolas regionais. Para
isso, a empresa investe na estruturação
da agricultura familiar por meio de iniciativas
como assistência técnica e
distribuição de sementes.
A empresa já conta com uma rede de
55 mil agricultores familiares que atuam
como fornecedores de oleaginosas como girassol,
mamona, dendê, algodão entre
outros. A tendência é de que,
no curto e médio prazos, novos grãos
reduzam a utilização da soja.
As usinas também utilizam sebo bovino
e óleos e gorduras residuais provenientes
dos processos de fritura, compradas de cooperativas
de catadores e ONGs, o que gera emprego
e renda também no meio urbano.
MyQ - Tecnicamente,
há diferença na utilização
de diferentes fontes de matérias-primas
para o processamento final na obtenção
do biocombustível?
Alan Kardec - Existem pequenas
diferenças no processamento de diferentes
fontes de matérias-primas, mas o
processo de produção escolhido
possui a flexibilidade necessária
para a produção de biodiesel
de acordo com as especificações
da ANP.
MyQ - Para
o escoamento de sua produção
final, como a Petrobras Biocombustível
estará estruturando sua logística
para atender o consumidor final?
Alan Kardec
- Os processos de comercialização
e logística serão executados
pela Petrobras e a distribuição
através da BR Distribuidora.
MyQ - A empresa
irá exportar?
Alan Kardec
- A produção
de biodiesel será voltada inicialmente
para o mercado nacional. No caso do etanol,
o foco é o mercado internacional,
a ser definido e desenvolvido por meio de
parcerias com empresas internacionais e
produtores nacionais. No momento estamos
avaliando as oportunidades de parcerias
e mercados.
MyQ - A área
de Manutenção é estratégica
para o sucesso de qualquer atividade empresarial
– sua própria experiência
fortemente ligada à Manutenção
comprova essa assertiva. Como ela (Manutenção)
está sendo estrutura no escopo de
cada usina da Petrobras Biocombustível?
Alan Kardec - A confiabilidade
dos equipamentos, instrumentos e sistemas
é com certeza um dos grandes fatores
de sucesso de uma unidade operacional. A
qualidade da Manutenção, com
foco em Manutenção preditiva
e preventiva, realizada por pessoas qualificadas
é uma das nossas diretrizes estratégicas.
As nossas usinas são constituídas
com redundância de equipamentos que
permite uma maior flexibilidade para a realização
de manutenções preditivas,
preventivas e corretivas.
MyQ - À
frente de unidades novas e considerando
justamente a sua experiência nessa
área, quais as lições
que o Sr. pretende difundir para que a Petrobras
Biocombustível possa mais à
frente ser reconhecida como excelência
na área de Manutenção?
Alan Kardec
– Mão-de-obra
qualificada e certificada; Plano de Manutenção
preventiva e preditiva efetivamente implantado,
monitorado por indicadores de disponibilidade
e confiabilidade operacional; Política
de sobressalentes considerando a vida útil
e confiabilidade dos componentes e disponibilidade
por parte dos fornecedores; Segurança,
Meio Ambiente e Saúde como um valor
em todo o ciclo do trabalho, incluindo:
planejamento integrado com a operação
e equipe de SMS e processo da Permissão
de Trabalho; Criação de um
banco de modos e efeitos de falhas de equipamentos
e componentes para análise de tendência
e vida útil dos equipamentos e sistemas.
MyQ - A operação
de todas as usinas da Petrobras Biocombustível
ocorrerá de forma integrada? Quais
os ganhos almejados com o modelo adotado?
Alan Kardec - Os processos
das usinas são semelhantes, pois
a tecnologia utilizada é a mesma,
facilitando a troca de experiências
e lições aprendidas. A princípio
as operações serão
descentralizadas, com monitoramento contínuo
das variáveis de processo e produção
pela sede, por meio da Diretoria Industrial
da Petrobras Biocombustivel.
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