Novo Polo Publicações
e Assessoria Ltda


Av Venezuela,
131/G 908
(Sede Própria)
CEP 20081-901
Rio de Janeiro - RJ
TelFax
(21) 2516-0004
myq@myq.com.br

 Ano II • nº 029 • 31 de julho de 2008                                                                 Informativo quinzenal

MANUTENÇÃO DO MEIO AMBIENTE

O uso da água subterrânea na indústria

Por Mario Wrege, Presidente do Núcleo Sul da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas)

As indústrias já começam a se conscientizar da importância da água potável. Esta assume papel de bem "precioso" nos processos industriais. Por outro lado, a água potável é um bem caro e esgotável – com clara tendência de diminuir as reservas e de continuar com custo crescente. No futuro, cada vez mais presente, a água assume posição estratégica na sociedade e economia. Segundo Anícia Pio, da Fiesp, “já está havendo desindustrialização em algumas áreas por carência de água”.

Em matéria publicada na edição no 3 da Revista Abas sob o título "Águas Subterrâneas e Indústrias", pode-se ler que "A Fiesp não possui estimativa sobre o número de indústrias que utilizam esse tipo de recurso, mas calcula ser grande ...". Tal uso é estimulado por vários fatores. Um deles é o preço. O custo da água subterrânea é 80% menor do que o da fornecida pela concessionária, segundo Mário Gravanich, da Yamaha Motos e Motores. Outro é a estabilidade. A água subterrânea estará disponível tanto em volume como em qualidade, independente da variações climáticas imediatas, como salienta Fernando de Barros, da General Water. Ou seja, a água subterrânea tem características altamente competitivas e podem sofrer um processo predatório. Isto tem que ser evitado, tanto para a máxima utilização do recurso como para a preservação do sistema aqüífero subterrâneo para as próximas gerações. A intervenção nestes sistemas requer ação qualificada e consensuada.

Algumas empresas acabam lançando mão da água subterrânea sem critério, por ser altamente vantajoso, tanto como insumo quanto como processo. A água subterrânea pode ainda ser uma commoditie em si: as águas minerais; ou pode ser material terapêutico em si a exemplo das águas termais. Porém, duas condições têm no mínimo que ser satisfeitas previamente. Uma: contratar uma firma idônea para conduzir os estudos (reservas, qualidade, reações); outra, solicitar ao Estado a autorização para acessar, extrair e rejeitar o recurso hídrico subterrâneo. E, para finalizar, contratar uma firma idônea para conduzir os procedimentos de perfuração, de construção e de teste do poço – tal firma pode ser a mesma que realizou os estudos e poderá ser a mesma que proverá os serviços de Manutenção do poço, quando implementado. A Abas tem um processo de credenciamento através do Selo de Qualidade Abas.

Os estudos hidrogeológicos irão avaliar a disponibilidade dos recursos (vazão, volume, profundidade) e a condição de acesso e de retirada dos mesmos, além das importantes características de qualidade (químicas, físicas e biológicas). Estes estudos necessitam conhecimentos especializados e, legalmente, um registro junto ao Crea (ART – Anotação de Responsabilidade Técnica). Dois tipos de técnicos podem realizá-los: geólogo e engenheiro de minas. Normalmente, são feitos em questão de dias – sendo altamente dependentes da disponibilidade de acesso físico à área de estudo e dos dados já levantados no entorno; além de experiência da equipe técnica. Até aqui não está garantida a existência da água subterrânea ou, existindo, não está garantida a disponibilidade ou a disponibilização da mesma (física, química, legal). Há riscos que só serão dissolvidos após os necessários estudos e após vencida a fase seguinte. Nesta primeira aproximação as restrições são dadas pela natureza; na fase seguinte, pelo Estado. Ou seja, há que se ter uma avaliação prévia sobre a possibilidade de obter sucesso neste investimento inicial, o que pode ser feito com o técnico que possivelmente irá realizar os estudos.

A autorização do Estado – no caso da água subterrânea, o estado federado – baseia-se na visão e na necessidade da gerência dos recursos hídricos, o que inclui, ainda, aspectos de saúde pública, do ambiente natural e de uso do território. Aí entram considerações sobre a preservação dos recursos hídricos e do ambiente natural, consignadas tanto pelos governos como pelos comitês de gerenciamento de bacia hidrográfica. Tudo dentro do Plano Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos, aprovado pelo legislativo. Aqui entram leis e regulamentações sobre gerenciamento, saneamento, saúde pública, além da cultura legalista da região. Afora isto, pode haver pressões externas ao sistema, como grupos ambientalistas ou de conteúdo ideológico. Ou seja, há que se montar um processo e dar entrada no órgão, ou órgãos – é, pode ser mais de um –, dito competente. É um processo complexo, apesar de regulamentado, mas tecnicamente solúvel. Toda a tramitação pode levar meses, dependendo da área onde será localizada a obra e do fim a que a mesma se destina. Mas, como sempre, estamos no Brasil, país do futuro e das maravilhas – ou seja, pode acontecer de outro modo, porém sendo este um país sério, tudo sairá conforme previsto e dentro dos prazos, sem nenhuma exigência absurda.

Estudos consumados e promissores; anuência governamental concedida; obras concluídas, Manutenção prevista. Ligue-se a bomba e usufrua-se o resultado previsto e/ou permitido. Consuma com moderação.